Dificuldades

Vento e chuva, os inimigos do Pontal da Barra

Instabilidades climáticas deixam a estrada de acesso ao local intransitável, causando prejuízos aos moradores, que ficam ilhados

Jô Folha -

Os dias de chuva e vento, como os das últimas semanas, evidenciam um problema histórico de Pelotas que é o acesso ao Pontal da Barra, na praia do Laranjal, principalmente no trecho em curva. Os moradores do local pedem uma solução definitiva para essa situação que se repete, provocando prejuízos financeiros a todos. Por se tratar de uma área de preservação, são necessários cuidados específicos e a prefeitura diz não poder realizar ações na via devido a decisão do Ministério Público.

A instabilidade fez o vento empurrar a água da lagoa contra a estrada e os moradores quase ficaram ilhados novamente. No início deste mês, os temporais deixaram a estrada intransitável. Morador do Pontal há quase 50 anos, Claudio Antônio Nizola, 67, relata que a situação se repete sempre em dias de chuva e vento. O pescador relembra a construção da estrada, na década de 70, quando, segundo ele, já deveria ter sido feita a colocação de pedras. "Do jeito que é feito, todos os anos precisam gastar, mas se fizerem [o Poder Público] uma contenção de pedras, seria gasto uma vez só e terminaria o problema", comenta. Ele ainda cita o exemplo da Colônia de Pescadores Z-3, onde foi feito desta forma.

O pescador e comerciante Ricardo Krause, 50 anos, compartilha da opinião de Nizola. Ele explica que somente a colocação de aterro não resolve o problema, pois a água acaba levando e o transtorno retorna. "Toda vez que estraga a estrada é destinado dinheiro para uma ação emergencial, que não resolve. Tem que colocar umas pedras grandes pela beira da rua", aponta Krause.

Além da dificuldade, ou até mesmo da impossibilidade de chegar ou sair do local, a situação da estrada traz problemas financeiros. Nos dias em que o trecho de acesso está interrompido, os pontos de venda de frutos do mar ficam fechados devido à falta de clientes. Já durante a safra, o cenário é ainda pior. Os pescadores contam que, sem a estrada, os caminhões não conseguem chegar até o Pontal para recolher os peixes que vão para a locais como a Z-3 ou para Rio Grande e é necessário levar o sustento de barco, o que exige tempo. Além disso, não é possível transportar gelo para armazenar os peixes, que muitas vezes acabam apodrecendo e precisam ser descartados.

Não pode fazer nada

Em nota, a prefeitura classificou como "significativa" a diminuição da orla do Pontal nos últimos anos, mas não soube dar mais informações como quantos metros foram perdidos e em quanto tempo, limitando-se a informar que "em análise de imagens de satélite, a Secretaria de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana (SGCMU) confirma o recuo". Questionado sobre uma solução para o problema histórico, o Poder Público informou que, por se tratar de uma área de preservação, o Ministério Público impediu qualquer ação para correção do traçado da via.

Um complexo de ambientes

O Pontal da Barra, que é formado por campos úmidos, mata e banhados, é uma área de preservação permanente. No entanto, seu conjunto de biodiversidade, como peixes anuais, répteis e aves, chamou a atenção do Poder Público, que está discutindo um estudo técnico para reconhecer o espaço com uma unidade de conservação.

Para o professor de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Marcelo Dutra, entre as opções para solucionar o problema do local estão mudar o acesso ao Pontal, deixando de ser onde é atualmente para ser instalado em outro lugar, ou fazer uma estrutura mais firme, com uma parte elevada, possibilitando a conexão hídrica e a passagem de fauna. Ele ressalta, no entanto, que independentemente da opção, a escolha trará prejuízos à localidade, transformando o ambiente. Dutra descarta a colocação de asfalto como alternativa de intervenção. "É uma obra de engenharia ambiental, pois de um lado temos o banhado e do outro a praia. A estrutura precisa fazer a ligação desses dois pontos novamente", finaliza o professor.

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